quinta-feira, 14 de abril de 2011

Paul Feyerabend – Contra o método

Para pensar nas repercussões contemporâneas das especialidades filosóficas chamadas de Teoria do conhecimento, de Epistemologia ou de Filosofia da ciência, que só passaram a existir enquanto tais em vista da Revolução científica moderna e dos problemas filosóficos por ela expostos.

Paul Feyerabend (1924-1994), filósofo da ciência de origem austríaca, personagem muito interessante e complexo, tanto que o extenso artigo sobre ele na Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Feyerabend

não chega sequer a mencionar o seu trabalho no teatro, como diretor, em Viena, quando quase tornou-se assistente de B. Brecht…

O índice do livro Contra o método, Esboço de uma teoria anárquica do conhecimento, (Against method, 1975) de Paul Feyerabend, é de tipo analítico, isto é, comporta um pequeno resumo do que é tratado no capítulo, é daí que foi extraída a passagem abaixo, que resume a conclusão do livro.

Edição da Francisco Alves, de 1977, disponível online:

http://soife.files.wordpress.com/2009/06/paul-feyerabend-contra-o-metodo.pdf

Edição mais recente: Unesp, São Paulo, 2007

“Dessa forma, a ciência se aproxima do mito, muito mais do que

uma filosofia científica se inclinaria a admitir. A ciência é uma das

muitas formas de pensamento desenvolvidas pelo homem e não

necessariamente a melhor. Chama a atenção, é ruidosa e impuden-

te, mas só inerentemente superior aos olhos daqueles que já se ha-

jam decidido favoravelmente a certa ideologia ou que já a tenham

aceito, sem sequer examinar suas conveniências e limitações. Co-

mo a aceitação e a rejeição de ideologias devem caber ao indiví-

duo, segue-se que a separação entre o Estado e a Igreja há de ser

complementada por uma separação entre o Estado e a ciência, a

mais recente, mais agressiva e mais dogmática instituição religiosa.

Tal separação será, talvez, a única forma de alcançarmos a huma-

nidade de que somos capazes, mas que jamais concretizamos.”

Vale a pena ler mais para entender melhor. Embora o livro tenha causado escândalo no meio universitário, não foi escrito para isso. Na origem do projeto, havia Feyerabend e seu amigo Imre Lakatos, todos dois alunos do eminente K. Popper na Inglaterra, que tiveram a ideia de escrever uma espécie de diálogo em que o primeiro se situava contra (against) o método e, o segundo, a favor (for): For and Against method; com a morte repentina de Lakatos, Feyerabend publica a sua parte dedicando-a ao amigo. Isso não quer dizer que se tratava de uma brincadeira e que Feyerabend não estivesse realmente argumentando o seu ponto de vista, mas que provavelmente o livro não teria provocado o mesmo efeito escandaloso na forma da sua concepção original. Não é difícil entender a razão do rebuliço: um livro extremamente bem escrito, bem articulado, bem argumentado, muito sério e erudito, cujas teses desmascaram certa ideologia científica a fim de liberar a ciência para que ela se desenvolva mais livremente e em harmonia com os outros tipos de conhecimento.

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